CONHEÇA OS PRODUTOS QUE SÃO PARANAENSES “DE CARTEIRINHA” E SAIBA POR QUE ELES VALEM MAIS

 

No Paraná, recebem certificação internacional de qualidade a goiaba de Carlópolis, o café do Norte Pioneiro, a erva-mate de São Mateus do Sul, o mel do oeste do Estado, a uva de Marialva, o mel de Ortigueira e o queijo de Witmarsum

 


Com pouco menos de 15 mil habitantes, a cidade de Carlópolis, no Norte do Paraná, se prepara para ter seu nome na boca de europeus e norte-americanos. Produtores de goiaba do município, que já é reconhecido no Brasil pelo cultivo da fruta, deram, no mês passado, mais um passo em seu estruturado plano de exportação. Um grupo de agricultores locais conquistou a certificação internacional Global G.A.P., um selo que atesta a segurança alimentar, boas práticas de manejo e sustentabilidade de produtos agrícolas.

Obviamente, nenhum produtor precisa de um selo para enviar suas goiabas para Holanda, Espanha ou Alemanha. Mas que estas certificações têm peso na hora da venda, isso têm – ou alguém questiona o impacto dos champagnes, produto francês altamente certificado, na mente de um comprador, ainda que existam bons espumantes produzidos em quase todo o globo? “Já fizemos vários contatos, desde redes de supermercados internacionais, até compradores de pequeno e médio portes”, disse Paulo Ricardo Teixeira Peres, especialista em comércio exterior e envolvido nas negociações, à época do recebimento do selo.

A conquista da certificação é o ápice, até o momento, de um movimento no qual o Paraná vem se destacando. O potencial de exportação da goiaba de Carlópolis cresceu na última década, quando os produtores locais passaram a se organizar em busca de um outro selo, este totalmente focado no mercado nacional, o registro de Indicação Geográfica (IG). De forma geral, a IG é um selo que aponta que um local se tornou referência na produção de um item ou que um produto só é possível graças a características de uma região (terroir, no jargão técnico) em que ele é elaborado.

É o equivalente ao que acontece fora do Brasil, onde produtos como champagnes, vinhos do Porto, presunto Parma ou mármores Carrara são protegidos por lei – uma vinícola de Lisboa, por exemplo, não pode chamar de “do Porto” os vinhos fortificados que produz.

No Brasil, o registro é concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) protegido pelas leis de propriedade e direitos industriais. Mas, assim como no resto do mundo, é muito mais do que um processo burocrático. As IGs agregam valor ao produto (pelo controle de qualidade), rendem mais dinheiro aos produtores (pelo preço mais alto), estimulam o associativismo (porque são frutos de esforço coletivo) e, sobretudo, fortalecem as boas práticas de produção.

Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que são mais de 40 mil IGs no mundo, movimentando um mercado anual bilionário. Três mil delas estão na Europa, onde o mercado parece ter melhor se consolidado. Um estudo da Comissão Europeia de Comércio apontou que 43% dos europeus se dispõem a pagar 10% a mais por produtos com procedência e 11% destes aceitam pagar entre 20% e 30% a mais por eles."

"Mesmo em um mercado que entrou há muito menos tempo no jogo, há benefícios. O Brasil tem 51 IGs reconhecidas e mais de 300 em análise. No Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, as propriedades rurais valorizaram até 500% nos cinco anos seguintes à região ter sido a primeira do país a ser reconhecida como produtora com Indicação Geográfica, segundo números do Sebrae. Além disso, a região se consolidou como um polo tecnológico e turístico de 2004 para cá, ano da concessão.

O Paraná viu sua primeira IG chegar somente em 2012, para os cafés especiais do norte pioneiro. Com ela, o produto incrementou seu valor em 30%, de acordo com Adhemar Augusto Martins, cafeicultor e consultor credenciado do Sebrae, um dos responsáveis por pleitear a certificação. “O valor faz parte de uma remodelação do nosso café especial. O selo é um item que se somou à melhora na qualidade de produção e às buscas por certificações”, diz. Mas foi um vértice forte.

“Depois [da IG para o café especial], o Sebrae abraçou essa questão e estendeu para outras regiões e outros produtos com potencial de selo. E é ótimo, pois remete a boas práticas na lavoura e preocupações ambiental e social”, defende Martins.

Por aqui, a goiaba de Carlópolis ganhou o selo de Indicação Geográfica em 2016 e, de lá para cá, segundo os produtores, a fruta triplicou sua venda no mercado nacional.

No Paraná, além da goiaba e do café, também recebem o atestado de qualidade a erva-mate de São Mateus do Sul, o mel do oeste do Paraná, a uva de Marialva, o mel de Ortigueira e o queijo de Witmarsum – este último o caçula da lista, cuja IG foi concedida em agosto do ano passado. Mas existe pedido para concessão de outras cinco IGs no cadastro do Inpi: o melado de Capanema, a cachaça de Morretes, a bala de banana de Antonina e o barreado e a farinha de mandioca do Litoral.

 

FONTE: GAZETA DO POVO