COMÉRCIO INTERNACIONAL - CURITIBA SEDIA A PRIMEIRA REUNIÃO DO BRICS EM 2019

Curitiba é a cidade-sede da primeira reunião do Brics em 2019. A abertura oficial do encontro aconteceu na noite desta quarta-feira (13) e reuniu ministros e diplomatas responsáveis pelos acordos entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Trata-se do mais importante evento diplomático realizado na capital paranaense desde 2006, quando a cidade recebeu encontro mundial de meio ambiente promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o COP-8/MOP-3 em 2006.

O evento é preparatório para a 11ª Cúpula do bloco econômico que será realizada em Brasília, em novembro deste ano com os presidentes dos países-membro. “Muito importante para o Paraná sediar esta reunião. É uma boa oportunidade para mostrarmos nosso potencial de comércio internacional e expandir as vendas”, destaca o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Na abertura do evento, no Salão de Atos do Parque Barigui, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo explicou que esta primeira reunião de trabalho do BRICS é um momento muito importante para o país. “É o início da presidência brasileira no BRICS.

Cada presidência do Brics elege uma prioridade para as discussões multilaterais e neste ano a área escolhida foi a de inovação. “Nós queremos trabalhar fundamentalmente com a agenda de inovação e economia digital.  Achamos que é uma área de convergência, onde todos temos políticas que podem ser interessantes para os outros. É uma das grandes fronteiras da inovação, sempre nesse espírito de cooperação”, destacou o chanceler.

Ele também destacou que o Paraná e Curitiba foram escolhidos para sediar a reunião inaugural do Brics em 2019 justamente porque são sinônimos de inovação. No discurso de boas-vindas aos embaixadores o chanceler afirmou que “curitibanos e paranaenses trabalham sempre pensando no futuro”.

Os convidados foram recepcionados pelo prefeito Rafael Greca e seu vice, Eduardo Pimentel.  O vice-governador Darci Piana representou o governador Carlos Massa Ratinho Júnior. O evento reuniu embaixadores dos cinco países, cônsules e lideranças de diversos setores da economia. O SIRECOM-PR também esteve presente. A reunião inaugural do Brics em 2019 segue até sexta-feira (15).

SUPERAVIT COMERCIAL DO PARANÁ COM PAÍSES DO BRICS CRESCE 625% NA DÉCADA

Atualmente, 30,7% das exportações do Brasil seguem para os demais países do bloco. Em relação ao Paraná, o grupo absorve 34,5% das vendas externas totais do Estado (US$ 20,040 bilhões), com negócios que somam US$ 6,918 bilhões. O montante foi registrado em 2018 e é 121% maior do que em 2010 (US$ 3,127 bilhões).

Em oito anos, as importações dos quatro países para o Paraná avançaram 12%, passando de US$ 2,573 bilhões para US$ 2,892 bilhões. O valor equivale a 23,3% do total comprado pelo Estado do exterior no último ano (US$ 12,370 bilhões).

No ano passado, o saldo entre exportações e importações foi de US$ 4,025 bilhões, um aumento de 625,7% sobre os US$ 553,3 milhões registrados em 2010. O forte incremento nas vendas externas foi impulsionado pela China, maior destino das exportações paranaenses.

CHINA – Desde o início da década, o valor exportado para o mercado chinês registrou crescimento de 167%, de US$ 2,276 bilhões para US$ 6,080 bilhões. Deste montante, a soja em grão respondeu por 80% (US$ 4,920 bilhões), seguido de celulose (US$ 374,5 milhões) e carne de frango “in natura” (US$ 319,3 milhões).

A Índia ocupa a nona posição na pauta de exportações paranaense. De 2010 a 2018, os negócios do Estado com este país cresceram 58%, de US$ 238,5 milhões para US$ 377,1 milhões. Óleo de soja representou 60% do valor total: US$ 229,2 milhões.

A África do Sul aparece na 18ª colocação entre os destinos internacionais de produtos do Paraná. O país apresentou um aumento de 101% nas transações com o Estado nos últimos oito anos, de US$ 116,1 milhões para US$ 234,5 milhões. A carne de frango “in natura” é o principal item da pauta, equivalendo a 68% das exportações.

Por sua vez, a Rússia figura em 19º lugar no ranking, mesmo com o recuo de 54% registrado entre 2010 e 2018, quando as exportações diminuíram de US$ 495,9 milhões para US$ 226,1 milhões. Café solúvel, carne de frango e soja em grão são os produtos mais exportados pelo Paraná.

IMPORTAÇÕES – No sentido inverso, o Estado contabilizou incrementos nas compras da China, de US$ 2,100 bilhões para US$ 2,312 bilhões (10%), e da Rússia – de US$ 167,9 milhões para US$ 395,9 milhões (135%). Destes dois países, o Paraná adquire principalmente adubos e fertilizantes. A China lidera também o ranking paranaense de importações.

O GRUPO -  O BRICS é um grupo que começou a ser organizado informalmente por Brasil, Rússia, Índia e China em 2006 – ainda como BRIC – para defender interesses em comum de países com grau de desenvolvimento econômico similar.   A primeira cúpula oficial foi realizada em 2009. A África do Sul passou a integrá-lo em 2011, agregando o S (de South Africa) ao acrônimo,

DISCUSSÕES - No encontro em Curitiba são discutidas as prioridades para o ano em que o Brasil preside o grupo. A presidência, que é rotativa, propõe prioridades e coordena as cerca de 100 reuniões anuais, inclusive em nível ministerial, dos diversos foros e grupos de trabalho que debatem e propõem iniciativas conjuntas em ampla gama de temas econômico-comerciais, financeiros, científico-tecnológicos, culturais, de saúde, de segurança, sociais e de gestão.

PRESENÇAS - Participaram da cerimônia no Memorial de Curitiba, além do ministro das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Ernesto Araújo, e do embaixador Norberto Moretti, sherpa do Brasil no BRICS, o ministro Leonardo Gorgulho, sub-sherpa do Brasil no grupo, o sherpa da Rússia, Pavel Knyazev, o sherpa da Índia, T.S. Tirumurti, o sub-sherpa da Índia, Suresh K. Reddy, o sherpa da China, Zhang Jun, o sub-sherpa da China, Huang Yiyang, o sherpa da África do Sul, Anil Sooklal, o sub-sherpa da África do Sul, Dave Malcomson. Estiveram presentes ainda os embaixadores da Rússia no Brasil, Sergey Pogóssovitch Akopov, da Índia, Ashok Das, da China, Yang Wanming, e da África do Sul, Ntshikiwane Joseph Mashimbye.