MAIOR DISTRIBUIDOR FORD DO PAÍS, CAOA NEGOCIA COMPRA DA FÁBRICA FECHADA NO ABC

 

Empresa brasileira, que produz carros da Hyundai e Chery, é parceira da marca norte-americana no Brasil há 40 anos.

Negociação pode salvar 4,5 mil empregos diretos e milhares de indiretos.

 

O Grupo Caoa, que produz veículos da coreana Hyundai e da chinesa Chery, está disposto a comprar a fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP), que terá as atividades encerradas até o fim do ano. Segundo a agência Reuters, ainda não haveria acordo fechado para o negócio.

Em nota, a Caoa ressalta que tem "forte parceria" com a Ford há quatro décadas, por ser a maior distribuidora da marca na América Latina.

"Dessa forma, é natural que a Caoa e a Ford conversem sobre futuros negócios, assim como ocorre com outras empresas sempre que há uma boa oportunidade", diz o comunicado.

A empresa alegou, porém, que até o momento "não há nenhuma definição ou compromisso para a aquisição da planta".

A Caoa, que é uma abreviatura do nome do seu fundador, Carlos Alberto de Oliveira (hoje presidente do conselho de administração, surgiu em 1979 como uma cadeia de concessionárias.  Virou importador oficial das marcas Renault, Subaru e Hyundai.

Nos últimos anos começou a produzir veículo por meio de uma parceria com a Hyundai e, mais recentemente, com a chinesa Chery, comprando metade da operação da marca asiática no Brasil.

Os veículos do grupo são produzidos e montados em duas fábricas: em Jacareí (SP) e Anápolis (GO), que, somadas, possuem capacidade produtiva de 136 mil veículos por ano.

 

Isenção e incentivos para atrair comprador

No dia 19 de fevereiro, a montadora norte-americana anunciou que fecharia a unidade de SBC e sairia do negócio de caminhões no país, bem como no restante da América do Sul.

Nesta semana o governador do estado de São Paulo, João Doria, disse haver três interessados na compra das instalações da montadora e que está empenhado em manter os empregos que a planta gera na região.

A busca de um novo projeto para a fábrica poderia salvar 4,5 mil empregos diretos e indiretos. O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, afirmou estar disposto a conceder incentivos fiscais para atrair o comprador para a fábrica.

Uma das possibilidades é oferecer descontos no Imposto Sobre Serviços (ISS). A cidade já concede abatimentos de até 30% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem gerar e manter acima de 50 novas vagas.

 

Negociação nos EUA

Em paralelo à busca por novos interessados na fábrica, dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmaram que no dia 7 serão recebidos por executivos da matriz, nos EUA, e vão apresentar um plano de viabilidade da fábrica.

O presidente do sindicato, Wagner Santana, salientou que os trabalhadores não querem fazer papel de corretor de imóvel para vender a fábrica, mais sim mostrar à matriz que a planta é viável.

Os operários esperam que se repita o ocorrido em 1998, quando a Ford anunciou 2,8 mil demissões. Na época, após reunião na matriz, a decisão foi suspensa. Cortes ocorreram ao longo dos meses seguintes, por meio de programa de voluntariado (PDV).

A Ford quer concentrar a produção na fábrica de Camaçari (BA), pois alega que ela é mais produtiva e mais lucrativa. É lá que são feitos atualmente os modelos Ka e EcoSport, os mais vendidos da marca, enquanto no ABC são feitos caminhões - segmento em que o grupo vai deixar de atuar - e o Fiesta, que sairá de linha.

Santana afirmou ainda que, até o dia 7, serão realizados vários protestos dentro e fora da fábrica, que continuará com a produção paralisada.

A Ford alega necessidade de voltar ao lucro sustentável na América do Sul, onde registrou prejuízos de US$ 4,5 bilhões entre 2013 e 2018. O Brasil é o maior mercado da marca na região.

O grupo passa por reestruturação global e nesta terça-feira também houve protesto de trabalhadores da fábrica de engrenagens na França, que tem 800 funcionários e também será fechada.

 

FONTE: GAZETA DO POVO