NO PRIMEIRO DISCURSO COMO PRESIDENTE, BOLSONARO PEDE PACTO NACIONAL

Em seu primeiro discurso depois de ser empossado o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL) pediu um pacto nacional e reafirmou sua plataforma de campanha. Disse que o país precisa de reformas estruturantes e destacou a necessidade de trabalhar em conjunto com o Congresso Nacional.  A cerimônia foi repleta de simbolismo e emoção. Bolsonaro governará o país com o seu vice-presidente Antônio Hamilton Mourão Martins até 2022.

O presidente prometeu "tirar o peso do governo sobre quem trabalha e produz" e "restabelecer a ordem" no país. Afirmou que agora tem o desafio de enfrentar os efeitos da crise econômica.

"Vamos propor e implementar as reformas necessárias. Vamos ampliar infraestrutura, desburocratizar, simplificar, tirar a desconfiança e o peso do governo sobre quem trabalha e quem produz", discursou o novo presidente aos apoiadores que lotavam a Praça dos Três Poderes para acompanhar o pronunciamento.

Ao longo do discurso, que durou pouco menos de dez minutos, Bolsonaro falou várias vezes em combater o “viés ideológico” durante seu governo. “Convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e reerguer nossa pátria, libertando-a definitivamente do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”, disse.

Bolsonaro também aproveitou para pedir união. “Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser livre das amarras ideológicas”, falou o presidente. “Esses desafios só serão resolvidos mediante um pacto nacional entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na busca de novos caminhos para um novo Brasil”, completou.

Propostas de campanha

Bolsonaro fez referência a diversas propostas de campanha. A educação foi um dos primeiros temas de campanha abordados. Ele é favor do projeto de lei “Escola Sem Partido” e já falou diversas vezes em “combater a ideologia marxista” nas salas de aula.

“Daqui em diante nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros que querem boas escolas capazes de transformar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política”, disse o presidente.

Ele também falou em temas referentes à segurança pública, como armamento e o excludente de ilicitude – instrumento jurídico para que policiais que matem durante confrontos com suspeitos não respondam juridicamente por suas ações.

“O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender respeitando o referendo de 2005, quando optou nas urnas pelo direito à legítima defesa”, disse Bolsonaro, sobre o tema do armamento. Ele já prometeu facilitar, por decreto, a posse de arma já no início de seu governo.

“Contamos com o apoio do Congresso Nacional para dar respaldo jurídico para policiais realizarem seu trabalho”, disse, em relação ao excludente de ilicitude.

Agenda econômica

Bolsonaro falou sobre as medidas econômicas que devem ser adotadas em seu governo. “Realizaremos reformas estruturantes que serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas”, disse o presidente. Ele não detalhou quais reformas serão prioridade.

O presidente ainda fez um aceno ao agronegócio, que tem uma das maiores bancadas da Câmara, durante seu discurso. “Nesse processo de recuperação do crescimento, o setor agropecuário continuará desempenhando um papel decisivo em perfeita harmonia com a preservação do meio ambiente”, disse. Bolsonaro também prometeu menos regulamentação e burocracia para o setor.

Facada

Bolsonaro citou, ainda, duas vezes o episódio de campanha em que ele foi vítima de uma facada em Juiz de Fora – Minas Gerais. Ao iniciar o discurso, o presidente agradeceu a Deus por estar vivo, em referência ao episódio, e classificou como “milagre” a sua recuperação.

Ele voltou ao assunto ao destacar que depois do atentado, a “campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico” pela sua candidatura.

 

FONTES: GAZETA DO POVO / ISTOÉ / G1