PARANÁ É O ESTADO MAIS AFETADO COM A PROIBIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES DE 20 FRIGORÍFICOS BRASILEIROS PELA UNIÃO EUROPEIA

União Europeia (UE) anunciou hoje a exclusão de 20 unidades de frigoríficos da lista dos que estão autorizados a exportar frango para o bloco comercial. A maior parte pertence à BRF, dona da Sadia e Perdigão, maior processadora de alimentos do país. Essas empresas representam cerca de 30% do total de frango exportado para a União Europeia.

 

A medida, que deve entrar em vigor em 15 dias,  após a decisão ser oficialmente publicada, já era esperada pelo governo brasileiro. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já havia anunciado que o governo vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o descredenciando dos frigoríficos brasileiros como exportadores da UE. Ele deve se reunir com produtores já na semana que vem para discutir o assunto.

Hoje, ele voltou a afirmar que a restrição tem motivação comercial e não sanitária, pois o bloco europeu teria proposto a cobrança de uma sobretaxa para as exportações do Brasil.

"Nós confirmamos que os representantes dos países votaram por unanimidade a favor de deslistar 20 estabelecimentos brasileiros de exportar carne e seus derivados (especialmente frango). A medida proposta pela comissão europeia é relativa a deficiências detectadas no sistema brasileiro oficial de controle sanitário", disse a UE, em comunicado da comissão sanitária do bloco.

A lista com as 20 unidades não foi divulgada pela UE "por razões comerciais". A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os produtores nacionais de aves, informou  que 9 empresas foram afetadas: 12 frigoríficos da BRF e outras 8 unidades de outras empresas.

As ações da  BRF, que chegaram a disparar mais de 8% pela manhã na bolsa brasileira diante de possíveis mudanças na gestão da companhia, reduziram ganhos após a divulgação da decisão da UE.

O UE foi questionado sobre quais as exigências esses frigoríficos teriam que cumprir para voltar a exportar. A UE disse apenas que eles terão que "construir um histórico de conformidade com as normas da UE", sem especificar prazos e critério. Fontes da UE disseram à TV Globo que a reabilitação dos frigoríficos pode levar anos.

Impactos no Brasil

O Brasil é o maior exportador de frango do mundo, o Paraná é o maior produtor do país,  e a União Europeia é seu principal comprador. O bloco é responsável por 7,5% do frango vendido pelo país ao exterior, em toneladas, e 11% em receita, segundo dados da ABPA.

O vice-presidente de Mercado da ABPA, Ricardo Santin, disse que a proibição terá impacto no mercado brasileiro. São esperadas as seguintes consequências:

  • Excesso de oferta de frango no Brasil e falta de produto na Europa;
  • Isso levará à queda de preço do frango no Brasil e alta na Europa;
  • Os frigoríficos vão tentar reduzir a produção já que não poderão exportar para a Europa. Muitos deles já deram férias coletivas aos funcionários e poderão demitir trabalhadores.

Impasse

Na terça-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o Brasil vai recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as restrições à carne brasileira pela União Europeia. Segundo Maggi, a Europa está usando preocupações sanitárias para tomar medidas comerciais contra o Brasil.

Desde a deflagração da operação Carne Fraca, em março do ano passado, a União Europeia reforçou as medidas sanitárias contra o Brasil.

Com a deflagração de uma segunda fase da operação em março deste ano, a UE passou a avaliar a necessidade de novas medidas contra o frango brasileiro. Na ocasião, a BRF foi acusada de fraudar laudos relacionados à presença de salmonela em alimentos para exportação em 4 unidades.

Para mitigar o problema, o próprio governo brasileiro suspendeu provisoriamente a exportação de 10 fábricas da BRF de frango para a Europa. No entanto, o Ministério da Agricultura liberou nesta quarta-feira as unidades para exportar para UE, mesmo admitindo que elas poderiam ser barradas pelo bloco econômico em seguida.

 

Veja abaixo a lista das unidades proibidas de exportar para a UE:

BRF S.A.

A empresa teve 12 frigoríficos afetados. São eles:

 

  1. Ponta Grossa (Paraná)
  2. Concórdia (Santa Catarina)
  3. Dourados (Mato Grosso do Sul)
  4. Serafina Correa (Rio Grande do Sul)
  5. Chapecó (Santa Catarina)
  6. Capinzal (Santa Catarina)
  7. Rio Verde (Goiás)
  8. Marau (Rio Grande do Sul)
  9. Toledo (Paraná)
  10. Várzea Grande (Mato Grosso)
  11. Francisco Beltrão (Paraná) - unidade da SHB, subsidiária da BRF.
  12. Nova Matum (Mato Grosso) - unidade da SHB.

 

Copacol - Cooperativa Agroindustrial Consolata

Unidade de Cafelândia (Paraná)

Copagril - Cooperativa Agroindustrial

Marechal Cándido Rondon (Paraná)

Zanchetta Alimentos Ltda

Boituva (São Paulo)

São Salvador Alimentos S/A

Itaberai (Goiás)

Bello Alimentos Ltda

Itaquirai (Mato Grosso do Sul)

Coopavel - Cooperativa Agroindustrial

Cascavel (Paraná)

Avenorte Avicola Cianorte Ltda

Cianorte (Paraná)

LAR Cooperativa Agroindustrial

Matelândia (Paraná)

FONTES: VEJA E G1