REPRESENTANTE COMERCIAL, NOSSO DESAFIO É A INFORMAÇÃO

TI, software, hardware, smartphone ... são complementos.

Há algum tempo vínhamos discutindo a importância de trabalharmos focados em uma Representação Comercial 4.0 ou preparada para a revolução 4.0.

O termo 4.0 entrou no nosso cotidiano quando passamos a ouvir falar com maior insistência na Indústria 4.0, na Construção Civil 4.0, no profissional 4.0, e agora no MKT 4.0 e no vendedor 4.0.

Para falarmos da Representação Comercial 4.0 é fundamental entendermos estes movimentos.

Uma boa referência para a Indústria 1.0 é a transformação da indústria têxtil, no século XVIII, com o advento da máquina a vapor. Para a indústria 2.0 temos o uso da energia elétrica e do petróleo e, para a indústria 3.0, a eletrônica embarcada e também a energia atômica. Entre um e outro momento não temos uma ruptura clara de modelo ou forma, mas sim, uma transição até certo ponto lenta e que em alguns casos levou décadas.

Quando falamos em Indústria 4.0 e seus desdobramentos com serviços, canais de venda e comércio, estamos nos referindo a uma transformação com mudanças geradas pela sustentabilidade, nanotecnologia, business intelligence e robôs, em um mundo ciber-físico marcado pela convergência de tecnologias físicas, digitais e biológicas.

Afirmarmos que a quarta revolução industrial mudará o mundo soa muito radical?

Se cumpridas as previsões, assim será!

E alguns estudiosos afirmam que ela já está acontecendo, e em larga escala e a toda velocidade.

"Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", afirma Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial, publicado em 2016.

A primeira revolução levou séculos para ser assimilada; a segunda, décadas; e a terceira bem menos tempo. Se a revolução 4.0 acontecer a toda velocidade, como dizem os entusiastas, o efeito pode ser devastador.

“No jogo do desenvolvimento tecnológico sempre há perdedores.” (Elizabeth Garbee, pesquisadora da Escola para o Futuro da Inovação na Sociedade da Universidade Estatal do Arizona – ASU).

O poder da transformação virá da engenharia genética e das neurotecnologias, áreas desconhecidas e distantes da maior parte das pessoas. A repercussão vai impactar em como somos e nos relacionamos até nos lugares mais distantes do planeta. A revolução afetará o futuro do trabalho, a desigualdade de renda e a forma de fazer negócios. Suas consequências impactarão a segurança geopolítica e o que é considerado ético.

Muitos veem esse futuro com pessimismo e as pesquisas refletem as preocupações de empresários com o que alguns chamam de "darwinismo tecnológico", onde aqueles que não se adaptarem não conseguirão sobreviver.

Um período longo para implementar mudanças nos permite uma maior flexibilidade e adaptabilidade. Daqui para frente, no entanto, se quisermos conquistar espaço, a velocidade nos obrigará a trabalhar lado a lado com homens e robôs. Teremos que reaprender, estar abertos às mudanças, às adaptações. Um aprendizado multidisciplinar contínuo será imprescindível. O mundo exigirá de nós a especialização em mais de uma frente, conhecermos um pouco de tudo.

Precisamos estar preparados para um mundo ciber-físico, com uma carga de tecnologias onde teremos uma forte integração e um conjunto de atividades humanas ligadas a energia, mobilidade, agricultura, saúde, lazer e consumo.

Todo conhecimento é pouco quando o cenário é desconhecido. E neste caso, existe mais especulação que certezas concretas. A velocidade não é mais a mesma, o mundo está mudando muito rápido e temos que nos adaptar, adotar atitudes disruptivas, pois se continuarmos a fazer as coisas como viemos fazendo até aqui, não teremos o mesmo resultado, e, sim, resultados muito piores. Profissionais sem habilidades para explorar os modernos aparatos tecnológicos estarão fora deste mercado cada vez mais competitivo.

A conectividade alterou de forma radical a maneira de nos relacionarmos e, especialmente, a forma de fazer negócios. A internet móvel empoderou os consumidores, que se tornaram mais exigentes e bem informados. Está ficando difícil acompanhar as mudanças e, principalmente, exigindo extrema concentração. Passamos a acreditar e confiar cada vez mais nos "desconhecidos", nossos conhecidos das redes. E, de repente, a opinião de um grupo vale mais que a opinião de um especialista. Desconstruir é mais fácil que construir. Nossas opiniões viraram pó, consequência de um ambiente cada vez mais digital.

Um smartphone, um tablet ou um simples telefone celular podem interferir em controles, ajustes de equipamentos ou ter acesso a dados e tendências dos mais variados mercados. Estoques ou processos podem estar a quilômetros de distância. Estaremos conectados e seremos capazes de acessar um conjunto de informações e de decidir e influenciar de forma direta o processo fabril de uma indústria e de um consumidor cada vez mais 4.0?

Informações que eram restritas a poucos, ungidos e abençoados, passam a ser acessíveis aos demais mortais. Precisaremos de capacidade para lidar com esta interconectividade. Teremos sistemas de big data cada vez mais complexos, tecnológicos e autossuficientes. Em nossas relações, teremos contratos por períodos mais curtos, um mundo sem fronteiras. Jovens cada vez mais influentes, uma subcultura digital comandada por nitizens, que influenciam de maneira definitiva as suas, e nossas, redes, seus pais e amigos.

Empresas conectadas, clientes conectados e representantes conectados. Se quisermos avançar, teremos que fazer diferente, ser colaborativos e saber construir as soluções discutindo com colegas, clientes e parceiros.

A interconectividade nos coloca como pronto atendimento de nossas redes. Por isso, torna-se fundamental a capacidade de analisar dados e o tempo de ser demandado e de responder. Tudo isso pode ser definido em um átimo de segundo.

Então, o momento é de transformação.

A revolução provocada pela indústria 4.0 está impulsionando uma atualização fora do chão da fábrica, de intensidade nunca antes alcançada.

A indústria 4.0 está provocando a representação 4.0 e o vendedor 4.0, e juntos vamos provocar o comércio 4.0. Teremos um tsunami de mudanças.

O ganho de eficiência conquistado pela nova indústria, produto desta revolução, provocará a ampliação de nossos horizontes e a conquista de novos mercados.

Cooperação e trabalho em equipe, domínio de ferramentas e competências socioemocionais, o imprescindível conhecimento de idiomas diversos, a capacidade de acessar informações e de analisar e transmitir em tempo mais curto para o ambiente fabril devem permitir ao Representante Comercial alguma chance de sobrevivência. Consequências de um mundo cada vez menor, mais conectado e sem fronteiras.

O Representante Comercial se envolverá com tudo que está ao seu redor, da definição e escolha do processo industrial, passando pela logística muito mais sofisticada e chegando a um mercado com demandas cada vez mais personalizadas e exclusivas.

Não se acomodem, pois assim como as informações, as mudanças estão ao nosso alcance.

Mantenha sua identidade, mas busque ser cada vez mais multissetorial.

 

*Paulo César Nauiack é presidente do Sindicato dos Representes Comerciais do Paraná (Sirecom-PR), do Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Paraná (Core-PR) e segundo vice-presidente da Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomércio-PR)