PARANÁ PODE PRODUZIR 2,3 MILHÕES DE LITROS DE CERVEJA POR MÊS

O gosto pelas cervejas artesanais fez o Paraná ficar conhecido como um polo cervejeiro. Fama que os dados oficiais nunca conseguiram comprovar, já que faltam informações. Agora isso é possível. Uma pesquisa inédita, recém-lançada, mostra que o estado tem capacidade para produzir 2,3 milhões de litros de cervejas artesanais por mês, em uma indústria que está espalhada por todas as regiões paranaenses.

A pesquisa, batizada de Mapa (Microcervejarias Artesanais do Paraná), é um esforço conjunto do Sebrae com a Associação das Microcervejarias do Paraná (Procerva) e a Faculdade Guairacá, da região de Guarapuava.

Os mais de dois milhões de litros podem parecer muito. Ainda mais porque muitas microcervejarias começam com uma produção caseira, fazendo 10 ou 20 litros para distribuir para os amigos. Mas o panorama do Mapa é mais industrial. E mostra que há muito para se amadurecer, no Paraná.

O estudo foi feito com 65 empresas que têm plantas registradas no Ministério da Agricultura. Ele não leva em conta, portanto, as produções amadoras; e nem as cervejarias ciganas, que são aqueles que têm rótulo, receita própria, mas utilizam a fábrica de um terceiro no processo de produção.

Mesmo entre essas, predominam as produções pequenas (pelo menos para um padrão industrial). Quase a metade (43%) das microcervejarias têm uma capacidade de produção de até 10 mil litros por mês.

A cerveja artesanal também é uma indústria jovem. Um terço das fábricas não têm nem três anos de funcionamento. Mais da metade têm menos de cinco anos. É uma fatia bem considerável, na comparação com outros setores da economia, avalia a consultora do Sebrae Michele Tesser, responsável pelo Mapa dentro do órgão.

"É um segmento realmente novo, que está se estruturando. E algumas coisas demonstram isso. Se olhar os recipientes de envase [das cervejas], a prioridade está nos barris. Significa que elas atuam na região, têm uma característica local", avalia Tesser.

Além disso, muitas indústrias (80%) trabalham com venda própria, sem distribuidores ou representantes comerciais. Muitas delas vendem inclusive direto para o consumidor.

A maturidade que vai chegando

Os dados do Mapa também indicam um processo de maturação do setor. A própria publicação da pesquisa já indica isso. "É o início de um acompanhamento deste mercado. Até então não se sabia a quantidade de cervejarias, quanto cada uma produz, onde estão. Este foi um primeiro passo", resume o presidente da Procerva, Richard Buschmann.

Além disso, mais de um quarto das microcervejarias artesanais paranaenses já romperam a barreira dos sete anos. E uma em cada dez consegue produzir mais de 100 mil litros por mês.

Amarras tributárias

A alta carga tributária é uma das principais barreiras para o crescimento das microcervejarias, na avaliação da Procerva. Em parte porque as taxações do setor industrial já costumam ser maiores do que as de empresas de outros segmentos. Mas as chamadas "cervejarias mainstream" conseguem se beneficiar de uma série de isenções fiscais que inexistem para as pequenas.

A substituição tributária, que faz com que as indústrias paguem o imposto "no lugar" dos bares que vão vender a bebida, também pesa no bolso dos produtores. "Não é um ambiente saudável para você investir em tecnologia, criar mais emprego. Então o crescimento é lento", lamenta Richard, da Procerva.

Também pesa para o consumidor. "Você não consegue dar um preço justo, e acaba sendo erroneamente um produto gourmet", lamenta o presidente da associação, que cita o mercado norte-americano como comparação: nos EUA, a disparidade de preço entre as mainstream e artesanais gira em torno de 10% a 15%.

Espaço para crescer

Os números também indicam o potencial de crescimento das cervejas artesanais, no estado. É possível observar, por exemplo, que regiões como a de Maringá ainda têm uma densidade muito pequena de cervejarias locais.

Michele Tesser, do Sebrae, acredita que a produção de dados vai permitir à instituição formular políticas mais bem estruturadas do setor, que ajudem os empreendedores de forma mais objetiva, agora que há um diagnóstico.

Um fator interessante é que o Paraná já é respeitado como mercado produtor de cervejas artesanais. Prova disso é que metade das microcervejarias já participaram de concursos nacionais e internacionais. Destas, 78% já ganharam algum tipo de prêmio.

A existência de um diagnóstico estadual ajuda a Procerva em sua missão de incentivar o consumo local. "Temos ótimos produtos, e a gente quer que isso vire uma cultura mesmo. Que o paranaense tenha orgulho de consumir uma cerveja, uma cachaça, uma comida tradicional. Faz parte do que a gente deseja para o mercado", resume Buschmann.

FONTE: GAZETA DO POVO

Dados da pesquisa: