Recessão brasileira acabou no fim de 2016, diz comitê da FGV que estuda ciclos econômicos

A recessão econômica iniciada em 2014 terminou no fim do ano passado, divulgou nesta segunda-feira (30) o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace). Com 11 trimestres de duração, a crise é a mais longa da série histórica analisada pelo órgão desde 1980, empatada com a de 1989-1992. O Codace é um comitê do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o economista Paulo Picchetti, membro do Codace, foi possível constatar o fim da recessão depois que e economia brasileira cresceu de forma mais ampla no segundo trimestre de 2017, após conseguir um número positivo puxado pelo agronegócio nos primeiros três meses do ano.

Há duas maneiras de definir uma recessão. A chamada recessão técnica é registrada quando o Produto Interno Bruto (PIB) de um país cai por dois trimestres consecutivos.

Já o conceito usado pelo Codace considera que há recessão quando é observada uma queda generalizada no nível de atividade econômica, independentemente de haver dois trimestres seguidos de PIB negativo. São analisados indicadores como consumo, investimento, nível de emprego, desempenho da construção civil, importações e exportações, por exemplo.

"Muitas vezes o PIB é afetado por algum setor específico e não reflete a dinâmica da economia como um todo", justifica o economista Paulo Picchetti, membro do Codace.

Ele explica que é por esse motivo que o comitê considera que a recessão mais recente começou no segundo trimestre de 2014, ainda que o PIB tenha crescido levemente no terceiroquarto trimestres daquele ano.

"Ficou claro depois que essa 'retomada' não foi suficiente para repor a queda do segundo trimestre. Havia uma desaceleração generalizada entre os setores da economia, que começou pela indústria", diz.

O último período de retração da economia, que durou do segundo trimestre de 2014 ao último de 2016, é não apenas o mais longo (juntamente com a crise de 1989-1992), como também o mais intenso. A atividade econômica encolheu 8,6% no período. A segunda recessão mais forte registrada foi a de 1981 a 1983, quando houve recuo acumulado de 8,5% no PIB.

Fim da recessão

Pichetti destaca que, apesar de a crise ter acabado, a retomada da economia tem se mostrado mais lenta até aqui, em comparação com a saída de outras recessões.

Segundo ele, isso acontece em grande parte por conta das medidas tomadas para conter a penúltima crise, do último trimestre de 2008 ao primeiro de 2009.

"Estamos pagando a conta pelos desequilíbrios gerados naquela época. A queda artificial do preço da energia e da taxa de juros, a desoneração tributária e o aumento de crédito do governo por meio dos bancos públicos permitiram uma saída rápida da recessão anterior, mas geraram problemas fiscais e inflação."

Recuperação consistente?

O economista reforça que uma recuperação consistente da economia depende da aprovação das reformas e da continuidade do ajuste das contas públicas. Ele não vislumbra uma retomada do emprego e do investimento (variáveis que demoram mais a responder à reação do ciclo) aos níveis pré-crise "nos próximos trimestres".

"A consistência [da saída da recessão] passa inevitavelmente pelo equacionamento da questão fiscal e pela aprovação das reformas. Em resumo, passa pelo cumprimento do limite do teto de gastos".

FONTE: G1