DEFLAÇÃO EM SETEMBRO SURPREENDE E REFORÇA APOSTA: CORTES MAIS AGRESSIVOS DE JUROS ESTÃO POR VIR NO BRASIL

 

“Era uma vez um País que já teve inflação alta”. Com essas palavras, o Morgan Stanley define a nova surpresa baixista com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial usada pelo Banco Central em suas decisões de política monetária e revelada na quarta-feira pelo IBGE.

Ao apontar uma deflação de 0,04% em setembro, ante expectativa de economistas consultados pela Bloomberg de alta de 0,03% e no dado mais baixo para o mês desde 1998, ampliaram-se as apostas em cortes mais agressivos de juros pelo Banco Central na próxima reunião e também até o final do ano, o que tem um forte impacto nos contratos mais negociados de juros futuros e também para o dólar.

A inflação acumulada no ano é de 2,49% e, no acumulado de 12 meses, de 2,89%, abaixo do centro da meta para o ano de 4,25% – com uma banda de 1,5 ponto para cima ou para baixo (ou seja, entre 2,75% e 5,75%).

Os núcleos da inflação, que buscam captar a inflação livre de movimentos temporários, mostraram um movimento ainda mais “comportado”, entre 2,2% e 2,5% em 12 meses. Ou seja, abaixo do piso da meta.

Os principais destaques foram: inflação de alimentos e bebidas (-0,43%), grupo responsável pela maior contribuição negativa no IPCA de setembro, com -0,11 ponto percentual, e o impacto já atenuado das tarifas mais altas de eletricidade. Além disso, os preços dos combustíveis (+0,12%) não aumentaram conforme o esperado após o choque do preço do petróleo observado recentemente, uma vez que o temor de falta de oferta foi rapidamente revertido.

 

FONTE: INFOMONEY